espera
fecha as cortinas
guarda silêncio
o mistério é doce
amo
a penumbra
e tua fala quente
monossilábica
na minha nuca
Izabel Lisboa
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
fluidez
as vezes parece que liquidifico-me
ali derramada como poça d'agua
suplico alguém para me sorver
para reconstituir minha solidez perdida
aquilo que eu pensava dar sentido à vida
ledo engano
derramar-me é o essencial
solidez é trivial
Izabel Lisboa
ali derramada como poça d'agua
suplico alguém para me sorver
para reconstituir minha solidez perdida
aquilo que eu pensava dar sentido à vida
ledo engano
derramar-me é o essencial
solidez é trivial
Izabel Lisboa
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
sem moldura
um raio de sol escarlate
feriu a boca da noite
o mundo cão farejou o assombro
o corpo
do outro lado da rua
o corpo
o grito
o sangue vivo
no paletó branco de cambraia de linho
um único golpe
uma lâmina afiada
o asfalto vermelho
no ar
um cheiro agradável de pão quentinho
espalhava-se com a aurora
Izabel Lisboa
feriu a boca da noite
o mundo cão farejou o assombro
o corpo
do outro lado da rua
o corpo
o grito
o sangue vivo
no paletó branco de cambraia de linho
um único golpe
uma lâmina afiada
o asfalto vermelho
no ar
um cheiro agradável de pão quentinho
espalhava-se com a aurora
Izabel Lisboa
e amanhã?
no princípio
quando o amor pairava sobre as águas
não havia margens
era só mar
o amor e o mar...
Izabel Lisboa
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