terça-feira, 31 de agosto de 2010
leveza
pura delicadeza
amar-se é bom
sentir-se feliz
amar os espelhos
feliz ao refletir-se neles
ser assim
do jeito que se quer
amar-se assim
do jeito que se é
permitir-se
dizer sim
sem ponderações
sem esconderijos
nem rupturas
respirar fundo
sempre
de corpo e alma
o doce frescor de viver
agitar-se
cantar-se
encantar-se
amar-se é bom...
***
Izabel Lisboa
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
fala
não te cales
por favor não te cales
é desse amor que tu falas que eu conheço
sem metáforas exuberantes
sem aristocracias ou erudições
tu falas uma linguagem nossa
é sobre nós que tu falas
essa é a nossa língua
inventamos juntos nossos conceitos
apenas te peço para não sufocarmos nosso recíproco desejo
é a densidade de Eros em ti e em mim que eu almejo
que transpareçam escancarados em nossa fala
o amor o lirismo e o desejo
eunucos e vassalos da linguagem em nada nos trarão proveito
sob o fogo de tua ardente fala eu me aqueço
meu corpo inflama-se
eu também não emudeço
meu corpo entende tua linguagem
em ti me reconheço
e se partilhas comigo o veneno que fabricas em tua língua
inebriados ambos morreremos satisfeitos
de amor... de lirismo... e de desejo
***
Bel Lisboa
por favor não te cales
é desse amor que tu falas que eu conheço
sem metáforas exuberantes
sem aristocracias ou erudições
tu falas uma linguagem nossa
é sobre nós que tu falas
essa é a nossa língua
inventamos juntos nossos conceitos
apenas te peço para não sufocarmos nosso recíproco desejo
é a densidade de Eros em ti e em mim que eu almejo
que transpareçam escancarados em nossa fala
o amor o lirismo e o desejo
eunucos e vassalos da linguagem em nada nos trarão proveito
sob o fogo de tua ardente fala eu me aqueço
meu corpo inflama-se
eu também não emudeço
meu corpo entende tua linguagem
em ti me reconheço
e se partilhas comigo o veneno que fabricas em tua língua
inebriados ambos morreremos satisfeitos
de amor... de lirismo... e de desejo
***
Bel Lisboa
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Janela aberta para o mundo...
Tem dias que a gente amanhece meio assim, mais pra lá do que pra cá. Parece que a cama é um ímã poderoso. Se deixar a gente vai ficando... Esse negócio de férias nos acostuma muito mal, pra pegar no tranco de novo não é moleza, justamente por causa da moleza! Mas o que ameniza a minha culpa é o fato de ficar lendo até tarde... Aí, pela manhã, dá uma preguicinha!!!
Mas as frestas de sol entrando através da persiana vêm reclamar atenção, instigam nossa mente e nosso corpo a reagir. Afinal o astro rei é poderoso mesmo, impossível permanecer alheia àqueles delicados, mas incisivos raios de luz! Sem contar a cantoria que os bem-te-vis aprontam em minha janela... Esplendido!
E num salto me ponho de pé. Kafka que me perdoe, mas recuso deixar-me metamorfosear. Se eu ficar deitada até tarde, aí sim, vou me sentir uma barata medonha!
Como sempre faço vou até a cozinha pegar um copo de água para tomar meu Euthirox 75, rotina farmacológica que, segundo o médico endocrinologista, me acompanhará por toda minha doce vida. O que seria de nós sem os avanços da medicina! Minha tireóide agradece.
Ainda com o copo na mão vou até a sala e ligo a TV, essa janela aberta para o mundo!
Dizem algumas almas, muito voltadas à praticidade, que olhar para o céu é um desperdício e que olhar para o lado será bem mais proveitos... Eu hoje cheguei à conclusão que assistir televisão, dependendo daquilo que você assiste na televisão, é da ordem de buscar a liberdade e se aprisionar mais ainda, é buscar na superficialidade suprir necessidades profundas... Bate uma frustração!
Há tempos atrás eu era mais paciente em me colocar diante da TV. Agora, talvez pela idade, acho que estou mesmo ficando velha (ta bom, mais madura!) e isso é ótimo, perdi a paciência, e descobri que perder a paciência às vezes é ótimo, agora faço isso sem culpa, igual criança. Tenho a impressão, que se eu me puser a assistir certas programações de TV, minha vida estará indo pelo ralo e que a televisão é uma máquina de moer vidas. Talvez o termo melhor seja sugar vidas.
Sei que temos o abençoado controle remoto e com ele podemos escolher o canal e a programação que pretendemos deixar entrar em nossa privacidade doméstica. O problema é que às vezes, dependendo do horário, não temos opção. E tome programas que misturam de tudo, culinária, fofoca sobre a vida de artistas, telejornalismo sensacionalista, tele-shopping onde vendem de tudo, até a mãe em 10 parcelas sem juros, e sem necessidade de consultar o seu cadastro.
E os desenhos animados então! Já notaram como estão medonhos! Monstros e mais monstros! Horrorosos! Fico imaginando que se a historinha do Chapeuzinho Vermelho é tida por alguns como nociva ao desenvolvimento saudável das crianças, o que dizer então desses desenhos produzidos hoje?!
Estou mesmo sem paciência... Graças a Deus!
Mas não quero radicalizar minha negatividade sobre a programação da TV. Existe uma programação em canais como a TV Educativa, TV Cultura, Canal Futura, TV Senado, TV Câmara, TV Assembléia e algumas outras, que têm colocado no ar uma gama de reportagens, entrevistas e documentários que além de boa informação têm resgatado a memória política, cultural, cinematográfica, literária, social, do País. Além de não seguirem a linha sensacionalista, característica dos canais ditos “comerciais”.
Acompanhei recentemente uma reportagem, na TV Câmara, com a ex-guerrilheira brasileira Vera Silvia Magalhães, militante revolucionária no período do regime militar. Ela sofre até hoje com as várias sequelas deixadas pela tortura a que foi submetida no decorrer de meses consecutivos após sua prisão durante o regime.
Fiquei aterrorizada e ao mesmo tempo encantada. Aterrorizada com o testemunho vivo de uma vítima da tortura e do exílio político, e encantada por ter a oportunidade de assistir através da TV entrevista extremamente importante para resgatar a história política de nosso País.
Na mesma linha de programação assisti em outra oportunidade um documentário sobre o “suicídio/assassinato”, em outubro/1975 no DOI/CODI/SP, do jornalista, professor e teatrólogo, Wladimir Herzog, acusado de possíveis ligações com o PCB.
Portanto, tenho tido a oportunidade de assistir matérias de qualidade, e não vou agora somente jogar pedras na programação televisiva com a qual podemos contar.
Porém, não percamos de vista que os canais comerciais são um grande filão econômico explorado por poderosas organizações. Mantêm uma hegemonia que, em se tratando de mídia televisiva, são grandes responsáveis pela formação da opinião pública. Se esse tipo de mídia dita que, o que está em voga no momento é um determinado caso policial, esse caso policial é o que será notícia por um bom tempo; até o momento em que essa mesma mídia resolva mudar o prato do dia em matéria de notícia. E o termômetro para mudar o tal prato do dia é a AUDIÊNCIA. Enfim, é o antigo, mas eficiente, TUDO POR DINHEIRO! Sem contar os interesses políticos que com certeza, por trás das câmaras, ditam as regras do jogo!
Assistindo a programação dos canais comerciais de TV, tem-se a constatação de como a mídia televisiva foi, e ainda é, instrumento de manipulação, alienação e dominação da grande massa da população. Sua programação tendenciosa em busca de melhores índices de audiência denuncia isso abertamente...
Enfim, desliguei a TV na cara da Ana Maria Braga e seu pudim de claras. Fechei bem as persianas e, ao som dos bem-te-vis, dormi mais um pouquinho, afinal estou de férias, o quê é que tem acordar uma baratinha uma vez na vida...?!
Quem quer casar com a senhora baratinha, que tem fita no cabelo... zzzzzzzz....
Izabel Lisboa
Tem dias que a gente amanhece meio assim, mais pra lá do que pra cá. Parece que a cama é um ímã poderoso. Se deixar a gente vai ficando... Esse negócio de férias nos acostuma muito mal, pra pegar no tranco de novo não é moleza, justamente por causa da moleza! Mas o que ameniza a minha culpa é o fato de ficar lendo até tarde... Aí, pela manhã, dá uma preguicinha!!!
Mas as frestas de sol entrando através da persiana vêm reclamar atenção, instigam nossa mente e nosso corpo a reagir. Afinal o astro rei é poderoso mesmo, impossível permanecer alheia àqueles delicados, mas incisivos raios de luz! Sem contar a cantoria que os bem-te-vis aprontam em minha janela... Esplendido!
E num salto me ponho de pé. Kafka que me perdoe, mas recuso deixar-me metamorfosear. Se eu ficar deitada até tarde, aí sim, vou me sentir uma barata medonha!
Como sempre faço vou até a cozinha pegar um copo de água para tomar meu Euthirox 75, rotina farmacológica que, segundo o médico endocrinologista, me acompanhará por toda minha doce vida. O que seria de nós sem os avanços da medicina! Minha tireóide agradece.
Ainda com o copo na mão vou até a sala e ligo a TV, essa janela aberta para o mundo!
Dizem algumas almas, muito voltadas à praticidade, que olhar para o céu é um desperdício e que olhar para o lado será bem mais proveitos... Eu hoje cheguei à conclusão que assistir televisão, dependendo daquilo que você assiste na televisão, é da ordem de buscar a liberdade e se aprisionar mais ainda, é buscar na superficialidade suprir necessidades profundas... Bate uma frustração!
Há tempos atrás eu era mais paciente em me colocar diante da TV. Agora, talvez pela idade, acho que estou mesmo ficando velha (ta bom, mais madura!) e isso é ótimo, perdi a paciência, e descobri que perder a paciência às vezes é ótimo, agora faço isso sem culpa, igual criança. Tenho a impressão, que se eu me puser a assistir certas programações de TV, minha vida estará indo pelo ralo e que a televisão é uma máquina de moer vidas. Talvez o termo melhor seja sugar vidas.
Sei que temos o abençoado controle remoto e com ele podemos escolher o canal e a programação que pretendemos deixar entrar em nossa privacidade doméstica. O problema é que às vezes, dependendo do horário, não temos opção. E tome programas que misturam de tudo, culinária, fofoca sobre a vida de artistas, telejornalismo sensacionalista, tele-shopping onde vendem de tudo, até a mãe em 10 parcelas sem juros, e sem necessidade de consultar o seu cadastro.
E os desenhos animados então! Já notaram como estão medonhos! Monstros e mais monstros! Horrorosos! Fico imaginando que se a historinha do Chapeuzinho Vermelho é tida por alguns como nociva ao desenvolvimento saudável das crianças, o que dizer então desses desenhos produzidos hoje?!
Estou mesmo sem paciência... Graças a Deus!
Mas não quero radicalizar minha negatividade sobre a programação da TV. Existe uma programação em canais como a TV Educativa, TV Cultura, Canal Futura, TV Senado, TV Câmara, TV Assembléia e algumas outras, que têm colocado no ar uma gama de reportagens, entrevistas e documentários que além de boa informação têm resgatado a memória política, cultural, cinematográfica, literária, social, do País. Além de não seguirem a linha sensacionalista, característica dos canais ditos “comerciais”.
Acompanhei recentemente uma reportagem, na TV Câmara, com a ex-guerrilheira brasileira Vera Silvia Magalhães, militante revolucionária no período do regime militar. Ela sofre até hoje com as várias sequelas deixadas pela tortura a que foi submetida no decorrer de meses consecutivos após sua prisão durante o regime.
Fiquei aterrorizada e ao mesmo tempo encantada. Aterrorizada com o testemunho vivo de uma vítima da tortura e do exílio político, e encantada por ter a oportunidade de assistir através da TV entrevista extremamente importante para resgatar a história política de nosso País.
Na mesma linha de programação assisti em outra oportunidade um documentário sobre o “suicídio/assassinato”, em outubro/1975 no DOI/CODI/SP, do jornalista, professor e teatrólogo, Wladimir Herzog, acusado de possíveis ligações com o PCB.
Portanto, tenho tido a oportunidade de assistir matérias de qualidade, e não vou agora somente jogar pedras na programação televisiva com a qual podemos contar.
Porém, não percamos de vista que os canais comerciais são um grande filão econômico explorado por poderosas organizações. Mantêm uma hegemonia que, em se tratando de mídia televisiva, são grandes responsáveis pela formação da opinião pública. Se esse tipo de mídia dita que, o que está em voga no momento é um determinado caso policial, esse caso policial é o que será notícia por um bom tempo; até o momento em que essa mesma mídia resolva mudar o prato do dia em matéria de notícia. E o termômetro para mudar o tal prato do dia é a AUDIÊNCIA. Enfim, é o antigo, mas eficiente, TUDO POR DINHEIRO! Sem contar os interesses políticos que com certeza, por trás das câmaras, ditam as regras do jogo!
Assistindo a programação dos canais comerciais de TV, tem-se a constatação de como a mídia televisiva foi, e ainda é, instrumento de manipulação, alienação e dominação da grande massa da população. Sua programação tendenciosa em busca de melhores índices de audiência denuncia isso abertamente...
Enfim, desliguei a TV na cara da Ana Maria Braga e seu pudim de claras. Fechei bem as persianas e, ao som dos bem-te-vis, dormi mais um pouquinho, afinal estou de férias, o quê é que tem acordar uma baratinha uma vez na vida...?!
Quem quer casar com a senhora baratinha, que tem fita no cabelo... zzzzzzzz....
Izabel Lisboa
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
o peito de Pedro
o peito de Pedro é pranto
lamento
saudade
dor e
acalanto
o peito de Pedro é leito
sol
torrão
céu e
paixão
o peito de Pedro é ônix
ouro
negro
sangue e
bronze
o peito de Pedro é pátria
verde
amarelo
azul e
África
o peito de Pedro é luta
muralha
batalha
vitória e
labuta
Izabel Lisboa
lamento
saudade
dor e
acalanto
o peito de Pedro é leito
sol
torrão
céu e
paixão
o peito de Pedro é ônix
ouro
negro
sangue e
bronze
o peito de Pedro é pátria
verde
amarelo
azul e
África
o peito de Pedro é luta
muralha
batalha
vitória e
labuta
Izabel Lisboa
sábado, 21 de agosto de 2010
pistas
você nem notou
não viu a luz em meu olhar
no momento em que eu era feliz
não viu a lágrima brotar
da solidão onde eu me escondi
você precisa me redescobrir
vasculhar meus meandros
conhecer meus segredos e novos encantos
desvendar mistérios em meus recantos
reencontrar-se em mim
arrumemos juntos nossas gavetas
limpemos a poeira de nossas estantes
abrirei as janelas e deixarei a luz entrar
e invadir cada cômodo do nosso lugar
deixemos pistas para nos reconduzir até lá
não deixe a tardinha cair
o sol da vida minguar
o vento frio da morte soprar
faça você mesmo suas trilhas
e percorra ao encontro do nosso lugar
lá você vai me encontrar
Izabel Lisboa
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
O velho lençol
O velho lençol da enfermaria guarda muitas histórias. Apresenta-se meio desbotado,
experimentou noites de dor e silêncio,
acalentou frio e medo.
Noutras circunstâncias, aparou vômitos, fezes e sangue.
O velho lençol, hoje, parece fatigado,
Tem manchas e descosturas.
Nestas noites indômitas,
muitos gemidos contidos.
No último serviço fez-se embrulho, pacote lacrado, fechado, envolvendo um corpo inerte que era vida.
O velho lençol da enfermaria tem a sabedoria do vivido:
nem chora, nem reclama. Acha que é destino.
Antonio Mourão Cavalcante
(médico e poeta)
In: http://cafesfilosoficos.wordpress.com/2010/08/12/a-morte-como-encantamento-antonio-mourao-cavalcante/
experimentou noites de dor e silêncio,
acalentou frio e medo.
Noutras circunstâncias, aparou vômitos, fezes e sangue.
O velho lençol, hoje, parece fatigado,
Tem manchas e descosturas.
Nestas noites indômitas,
muitos gemidos contidos.
No último serviço fez-se embrulho, pacote lacrado, fechado, envolvendo um corpo inerte que era vida.
O velho lençol da enfermaria tem a sabedoria do vivido:
nem chora, nem reclama. Acha que é destino.
Antonio Mourão Cavalcante
(médico e poeta)
In: http://cafesfilosoficos.wordpress.com/2010/08/12/a-morte-como-encantamento-antonio-mourao-cavalcante/
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Natureza morta
O cravo brigou com a rosa debaixo d’uma sacada! Tá certo que o cravo saiu ferido, mas a rosa – triste fim – saiu despedaçada! O príncipe, desalmado e sem coração, encerrou a pobre coitada numa redoma e foi viajar pelos mundos! Acho que é por isso que o tal do príncipe era “pequeno”!
O enamorado, romântico e apaixonado, no intento de agradar a sua amada, se achou no direito de mutilar a pobre rosa retirando-lhe os espinhos, única proteção para seu frágil e delicado corpo! Hediondo isso!
Os amantes que antes viviam só de: “receba as flores que lhe dou, em cada flor um beijo meu”, agora enciumados e em pé de guerra, não se contentando apenas em se agredirem reciprocamente, investem contra a pobre infeliz que é lançada no frio mármore da morte, desfolhada e esmagada pela ira e pelo pérfido ciúme...
E, para não ficar só nas desventuras da rosa, vale lembrar o quanto deve ter sofrido a desvalida camélia para chegar ao ponto que chegou! Cair do galho, dar dois suspiros e depois morrer?! Dar cabo da própria vida, ainda tão jovem e bela? Isso é doloroso demais!
Afinal, alguém pode me dizer o que está acontecendo?! Por que tamanha insensibilidade?! É guerra, é?
Depois não venham reclamar que estão se alastrando por aí “Marias sem vergonha”, “trepadeiras”, e várias espécies de plantas carnívoras! Toda paciência tem limite, né não?!
Izabel Lisboa
O enamorado, romântico e apaixonado, no intento de agradar a sua amada, se achou no direito de mutilar a pobre rosa retirando-lhe os espinhos, única proteção para seu frágil e delicado corpo! Hediondo isso!
Os amantes que antes viviam só de: “receba as flores que lhe dou, em cada flor um beijo meu”, agora enciumados e em pé de guerra, não se contentando apenas em se agredirem reciprocamente, investem contra a pobre infeliz que é lançada no frio mármore da morte, desfolhada e esmagada pela ira e pelo pérfido ciúme...
E, para não ficar só nas desventuras da rosa, vale lembrar o quanto deve ter sofrido a desvalida camélia para chegar ao ponto que chegou! Cair do galho, dar dois suspiros e depois morrer?! Dar cabo da própria vida, ainda tão jovem e bela? Isso é doloroso demais!
Afinal, alguém pode me dizer o que está acontecendo?! Por que tamanha insensibilidade?! É guerra, é?
Depois não venham reclamar que estão se alastrando por aí “Marias sem vergonha”, “trepadeiras”, e várias espécies de plantas carnívoras! Toda paciência tem limite, né não?!
Izabel Lisboa
hora capital
caiu a tarde
garoa fria
vespertina melancolia
uma vida cinza
dispensou o elevador
subiu as escadas
degrau por degrau
como a velar por si mesmo
[velório antecipado]
oitavo andar
a lágrima caiu primeiro
última gota de angustia
depois o corpo...
o transito ficou interditado na Jerônimo Monteiro
por uma hora
após a perícia fluiu livremente...
Izabel Lisboa
garoa fria
vespertina melancolia
uma vida cinza
dispensou o elevador
subiu as escadas
degrau por degrau
como a velar por si mesmo
[velório antecipado]
oitavo andar
a lágrima caiu primeiro
última gota de angustia
depois o corpo...
o transito ficou interditado na Jerônimo Monteiro
por uma hora
após a perícia fluiu livremente...
Izabel Lisboa
terça-feira, 17 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
serial killer
a traça comeu
o Pessoa
o Machado
o Rosa
o Bandeira
a Lispector
e após comer o Aurélio
morreu
deve ter ido para o inferno
a maldita
e eu
comprei de novo
o Pessoa
o Machado
o Rosa
o Bandeira
a Lispector
o Aurélio
e naftalinas
Izabel
domingo, 15 de agosto de 2010
aprendiz de Jó
amarrei o ódio num canto de mim
tranquei a sete chaves
algemei amordacei...
queria calar o mal[dito]
mas o bicho era tinhoso
tinha caraminholas na cachola
e foi fervendo e tentando
derreter as amarras
debateu-se sangrou
grunhiu vociferou
reprimi resisti
algo em mim era contrário a isso
desejos contraditórios
fervilhavam por dentro
forçavam as portas...
desejos de arrombamento
[era o ódio tramando agir]
fingi que não vi
ignorei
cantarolei um blues
e parti
quando voltei...
nem sinal do infeliz...
[se não abriu feridas
não deixou cicatriz]
Izabel Lisboa
tranquei a sete chaves
algemei amordacei...
queria calar o mal[dito]
mas o bicho era tinhoso
tinha caraminholas na cachola
e foi fervendo e tentando
derreter as amarras
debateu-se sangrou
grunhiu vociferou
reprimi resisti
algo em mim era contrário a isso
desejos contraditórios
fervilhavam por dentro
forçavam as portas...
desejos de arrombamento
[era o ódio tramando agir]
fingi que não vi
ignorei
cantarolei um blues
e parti
quando voltei...
nem sinal do infeliz...
[se não abriu feridas
não deixou cicatriz]
Izabel Lisboa
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