sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
carcaça
a vastidão do imperscrutável mar
não foi causa primeira de minha destruição
minha própria entrega cega
[sobre sedutoras e traiçoeiras águas]
selou minhas corrosões
selou minhas corrosões
Izabel Lisboa
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
penúltimo suspiro
manabu mabe
anti-flatulência e diurético
expectorante e laxantee nada de expurgar
esses tais pensamentos
a finitude ali
no canto da salasedenta
olha-me
de cima a baixo
fixa o olharno meu olhar
garimpa meus medos
convida à valsa
à dança da mortefundo do poço
prisão do ventre e da alma...
Izabel Lisboa
sábado, 28 de janeiro de 2012
viver de vento
viver de vento e poesia dá nisso:
diuturno espanto
inventividades
conceitoalizações
paixões e inquietações...
diuturno espanto
inventividades
conceitoalizações
paixões e inquietações...
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
ordinariamente
os
sentidos
nos enganam
os amores
nos tutelam
os prazeres
nos aplacam
as leis
nos reprimem
os sinais
nos alertam
os cálculos
nos ajustam
os olhos
nos delatam
as máscaras
nos ocultam
já que...
os sentidos
nos enganam
nos enganam
e nos enganam...
nos enganam
os amores
nos tutelam
os prazeres
nos aplacam
as leis
nos reprimem
os sinais
nos alertam
os cálculos
nos ajustam
os olhos
nos delatam
as máscaras
nos ocultam
já que...
os sentidos
nos enganam
nos enganam
e nos enganam...
Izabel
Lisboa
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
extravios
à
distância
é que se enxerga melhor
o todo
ah...o todo
[carrego no corpo os fragmentos dele]
- tentaram me vendê-lo
no Natal
no débito automático
no crédito...
uma pechincha
entrega em domicílio
[extraviou-se o pacote]
é que se enxerga melhor
o todo
ah...o todo
[carrego no corpo os fragmentos dele]
- tentaram me vendê-lo
no Natal
no débito automático
no crédito...
uma pechincha
entrega em domicílio
[extraviou-se o pacote]
Izabel
Lisboa
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
Sobre Movimentos e Estudantes
É uma pena que
estejamos assistindo em nossos dias a falência do Movimento Estudantil,
historicamente tão presente, politizado e atuante nas lutas pela conquista da
Democracia desse País. Hoje o Movimento Estudantil se mostra esquálido e
desprovido de sua força propulsora, ou seja, o engajamento da GRANDE MASSA
estudantil nos movimentos e lutas organizadas. Ou será que se nessas últimas
manifestações acontecidas em Vitória, uma grande massa de estudantes fossem as
ruas (e não um ínfimo número) organizadamente, com pauta de reivindicações,
etc, será que não seriam ouvidos, recebidos pelos governantes e até mesmo
conseguiriam ser atendidos em parte ou na totalidade de suas reivindicações?!
É bom que se tenha claro que, onde há movimentos sociais, especialmente com protestos públicos, lá estarão os representantes de partidos políticos tentando tirar proveitos eleitoreiros da situação. É assim hoje e foi assim sempre; ou seja, não é a rapinagem partidária a grande questão nessa situação específica.
A grande
questão é que o Movimento Estudantil, hoje, praticamente inexiste; isso porque
a mentalidade dos estudantes universitários está voltada para o empreendedorismo (praga
capitalista), onde o individualismo
e a competitividade imperam e a dimensão do comunitário, do coletivo, que
sempre permeou esses movimentos, perdeu espaço e valor diante do individualismo
que é marca desses nossos tempos. Na mentalidade de hoje a "culpa"
não é mais do "governo", um ser abstrato que precisa ser vencido e
dominado (dimenção utópica, porém que possui grande força no movimento reivindicatórios
das grandes massas populacionais), a culpa é do indivíduo que não tem
"competência" para alcançar um lugar ao sol no almejado mercado de
trabalho - que abriga a todos que tenham um arrojado espírito empreendedor. Hoje os
estudantes não se sentem mais navegando num mesmo barco, mas cada um navega em seu próprio
barquinho individual! Sinal de que a ideologia neoliberal teve, e continua a ter, êxito na formação da subjetividade,
fazendo da comunidade dos estudantes universitários mais um rebanho "de leite e
corte"...exército de reserva...massa de manobra...alvo
certeiro para que os governantes consigam desautorizá-los diante da opinião
pública e desmoralizá-los taxando-os como "um pequeno grupo de
baderneiros". Ou seja, a mobilização da grande massa populacional é
fundamental; e a história nos mostra que às vezes é necessário o surgimento de
um mártir para que ela aconteça o movimento cresça e se firme como vitorioso!
Izabel Lisboa
asas à imaginação
vaguei-as
ali
no campo das palavras e da imaginação
e ali encontras o infinito
[tão finito...]
a imaginação apenas te leva aos confins
d'uma metafísica tão rala
d'uma imanência tão gasta
falida a priori
[mais ainda a posteriori]
imaginas tantos mundos
tantos sois e tantas luas
novos céus e novas terras
mares d'antes nunca navegados...
só... imaginas
quando despertas do sonho
[dogmático...]
queres mais... na veia...
os alucinógenos...
as palavras
os arroubos e ilusões alheias
as teias poéticas...
[made of imagination]
e NADA mais...
no campo das palavras e da imaginação
e ali encontras o infinito
[tão finito...]
a imaginação apenas te leva aos confins
d'uma metafísica tão rala
d'uma imanência tão gasta
falida a priori
[mais ainda a posteriori]
imaginas tantos mundos
tantos sois e tantas luas
novos céus e novas terras
mares d'antes nunca navegados...
só... imaginas
quando despertas do sonho
[dogmático...]
queres mais... na veia...
os alucinógenos...
as palavras
os arroubos e ilusões alheias
as teias poéticas...
[made of imagination]
e NADA mais...
Izabel
Lisboa
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
o comedor de palavras e a borboleta
[se
falassem]
do que falariam as borboletas
do que falariam as borboletas
de
uma fome que não se mata
de uma sede que não se aplaca
de uma dor que não se estanca
de uma sede que não se aplaca
de uma dor que não se estanca
por
isso voam as borboletas
em ziguezague em vai e vem
desordenadamente
desobrigadamente
esfomeadamente
sem metas e sem retas
em ziguezague em vai e vem
desordenadamente
desobrigadamente
esfomeadamente
sem metas e sem retas
*deparou-se
um dia a borboleta
com um comedor de palavras
- sacio minha fome comendo
palavras
[disse ele]
- a fome que tenho não se acaba
a sede que sinto não se aplaca
minha dor não se estanca
[disse ela]
com um comedor de palavras
- sacio minha fome comendo
palavras
[disse ele]
- a fome que tenho não se acaba
a sede que sinto não se aplaca
minha dor não se estanca
[disse ela]
e
era um mar tão vasto entre eles...
[um mar de palavras]
[um mar de palavras]
Izabel
Lisboa
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
abastados em fome
alastra-se
a penúria numa terra que incita ao gozo
diante da mesa posta
da fartura exposta...
a fome
a sede
o interdito...
diante da mesa posta
da fartura exposta...
a fome
a sede
o interdito...
Izabel
Lisboa
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
deslocamentos
zenós frudakis
em quais recôncavos dormem as almas livres
[... da culpa dos pecados mortais?]
onde perecem aqueles pensamentos esfomeados
que cultivam imagens seminuas com a benção dos deuses pagãos?
ali onde o consenso míngua até a morte
onde desmoronam-se alicerces de velhos mundos
e seus frigidos desejos concretados e mesquinhos
incrustados na miséria e na fome
_ fome de querer mais
[muito mais]
que um punhado de leis e de nãos
[que os infelizes impõem a si mesmos]
_ que mal há no desvio das rotas
para um astronauta prenhe de novos mundos...?
[ _ um prisioneiro do tempo há de
se extasiar com a mutabilidade do voo das borboletas...]
e há...
[... da culpa dos pecados mortais?]
onde perecem aqueles pensamentos esfomeados
que cultivam imagens seminuas com a benção dos deuses pagãos?
ali onde o consenso míngua até a morte
onde desmoronam-se alicerces de velhos mundos
e seus frigidos desejos concretados e mesquinhos
incrustados na miséria e na fome
_ fome de querer mais
[muito mais]
que um punhado de leis e de nãos
[que os infelizes impõem a si mesmos]
_ que mal há no desvio das rotas
para um astronauta prenhe de novos mundos...?
[ _ um prisioneiro do tempo há de
se extasiar com a mutabilidade do voo das borboletas...]
e há...
Izabel Lisboa
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