domingo, 12 de fevereiro de 2012

carcaça















a vastidão do imperscrutável mar
não foi causa primeira de minha destruição
minha própria entrega cega
[sobre sedutoras e traiçoeiras águas]
selou minhas corrosões

Izabel Lisboa








segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

penúltimo suspiro











manabu mabe


anti-flatulência e  diurético
expectorante e laxante
e nada de expurgar
esses tais pensamentos

a finitude ali
no canto da sala
sedenta
olha-me

de cima a baixo
fixa o olhar
no meu olhar
garimpa meus medos

convida à valsa
à dança da morte
fundo do poço
prisão do ventre e da alma...


Izabel Lisboa

Utopía por Eduardo Galeano

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ordinariamente














os sentidos
nos enganam
os amores
nos tutelam
os prazeres
nos aplacam
as leis
nos reprimem
os sinais
nos alertam
os cálculos
nos ajustam
os olhos
nos delatam
as máscaras
nos ocultam
já que...
os sentidos
nos enganam
nos enganam
e nos enganam...

Izabel Lisboa

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

extravios


à distância
é que se enxerga melhor
o todo
ah...o todo
[carrego no corpo os fragmentos dele]
- tentaram me vendê-lo
no Natal
no débito automático
no crédito...
uma pechincha
entrega em domicílio
[extraviou-se o pacote]
Izabel Lisboa


sábado, 14 de janeiro de 2012

Sobre Movimentos e Estudantes


É uma pena que estejamos assistindo em nossos dias a falência do Movimento Estudantil, historicamente tão presente, politizado e atuante nas lutas pela conquista da Democracia desse País. Hoje o Movimento Estudantil se mostra esquálido e desprovido de sua força propulsora, ou seja, o engajamento da GRANDE MASSA estudantil nos movimentos e lutas organizadas. Ou será que se nessas últimas manifestações acontecidas em Vitória, uma grande massa de estudantes fossem as ruas (e não um ínfimo número) organizadamente, com pauta de reivindicações, etc, será que não seriam ouvidos, recebidos pelos governantes e até mesmo conseguiriam ser atendidos em parte ou na totalidade de suas reivindicações?!  

É bom que se tenha claro que, onde há movimentos sociais, especialmente com protestos públicos, lá estarão os representantes de partidos políticos tentando tirar proveitos eleitoreiros da situação. É assim hoje e foi assim sempre; ou seja, não é a rapinagem partidária a grande questão nessa situação específica.

A grande questão é que o Movimento Estudantil, hoje, praticamente inexiste; isso porque a mentalidade dos estudantes universitários está voltada para o empreendedorismo (praga capitalista), onde o individualismo e a competitividade imperam e a dimensão do comunitário, do coletivo, que sempre permeou esses movimentos, perdeu espaço e valor diante do individualismo que é marca desses nossos tempos. Na mentalidade de hoje a "culpa" não é mais do "governo", um ser abstrato que precisa ser vencido e dominado (dimenção utópica, porém que possui grande força no movimento reivindicatórios das grandes massas populacionais), a culpa é do indivíduo que não tem "competência" para alcançar um lugar ao sol no almejado mercado de trabalho - que abriga a todos que tenham um arrojado espírito empreendedor. Hoje os estudantes não se sentem mais navegando num mesmo barco, mas cada um navega em seu próprio barquinho individual! Sinal de que a ideologia neoliberal teve, e continua a ter, êxito na formação da subjetividade, fazendo da comunidade dos estudantes universitários mais um rebanho "de leite e corte"...exército de reserva...massa de manobra...alvo certeiro para que os governantes consigam desautorizá-los diante da opinião pública e desmoralizá-los taxando-os como "um pequeno grupo de baderneiros". Ou seja, a mobilização da grande massa populacional é fundamental; e a história nos mostra que às vezes é necessário o surgimento de um mártir para que ela aconteça o movimento cresça e se firme como vitorioso!

Izabel Lisboa