segunda-feira, 21 de março de 2011

acúmulo

sorrir já não me é leve
passei os últimos quarenta dias no deserto
[ou foram anos?]
no inverno sol de rachar

no verão geada
no cantil reserva de lágrimas
[recurso de sobrevivência para camelos]
passada a tempestade
renunciei à bonança
piquei a mula
dei uma guinada
[180º foi suficiente]
- engano seu...
do subsolo não restaram somente memórias...
escoriações sequelas e coisa e tal
agora ...
sorrir já não me é leve...
da boca só quero o céu

 
Izabel Lisboa

domingo, 13 de março de 2011

Japão - Silêncio e luto

Desde o terrível terremoto ocorrido no Japão busco palavras para expressar meu espanto! Tentei escrever um poema, mas palavras e versos (pelo menos os meus) me pareceram pequenos demais diante tamanha dor... Diante do terror de catástrofe tão pavorosa, e num profundo pesar e respeito ao povo japonês, tenho estado perplexa e emudecida...!

 
静けさと喪に服して
(Silêncio e luto)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Dulcinea sem Dom
















Dulcinea del Toboso, by Charles RobeDulcrt Leslie



mira mais de perto e atentamente
aproxima teu olhar de minha tragicomédia

encosta teu ouvido nas paredes de meu peito aberto
e ouve do outro lado dessa frágil fortaleza
os rumores de uma sangrenta guerra santa

alcancei a tal curva do caminho
aquele ponto extremo onde não há mais volta
revolta tampouco me abaterá
ali simplesmente baila-se suavemente uma valsa fúnebre
ali onde a esperança e a morte são amantes

por mim eu não teria chegado a tanto
mas levaram embora meu Dom Quixote
prenderam meu salvador numa camisa de força
louco, louco, louco, bradavam aqueles sábios senhores
eu bem que avisei que sem ele a lucidez me enlouqueceria...


Izabel Lisboa

terça-feira, 8 de março de 2011

8 de março - Dia Internacional da Mulher



"Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos liberta
Uma mulher que merece
Viver e amar
Como outra qualquer
Do Planeta..."

(Milton Nascimento)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

lúcida loucura


















uma inquietação tão grande
um coração que no peito só se expande
aquela certeza que inunda a alma dos navegantes
de que a vida é muito mais do que um fugidio instante
de que existirão ancoradouros
embora distantes
inquietações de gente que sabe ser gente
ecos de histórias distantes
devaneios como os de Dom Quixote de La Mancha
moinhos e redemoinhos de ventos cortantes
idéias e loucuras sãs
da mente livre de Miguel de Cervantes
coisas de viajantes e peregrinos
de gente sem muito tino
que respira a vida num desatino
que vive nas aflições e nos labirintos
gente profundamente gente
de alma e de corpo presente
a perambular
a melodiar
a se encantar...

- quisera ser gente como essa gente...


 Izabel Lisboa

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

pé no chão

cabeça nas nuvens
e sabedoria na taça
Zeus não sabe amar
apenas quer ser amado...
pobre e mesquinho deus
velho caduco
imortal infeliz
invejoso dos mortais
que não são...flor de fino trato
como o arrogante olímpico é
simplesmente amam
como a manteiga ama o pão
ou o arroz ama o feijão
o lirismo?!
- foi lamber sabão


Izabel Lisboa

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

alçapão


aprumou-se com esmero
cambraia de linho no terninho
pisante reluzindo no verniz
chapéu coco de ladinho
na lapela um cravinho
água Velva após a barba
brilhantina Guanabara... 
- mas a desalmada nem deu as caras...

Izabel Lisboa






terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Blogagem coletiva em comemoração ao 1º ano de existência do blog “Sonhar e Ser”


http://www.sonhareser.com.br/2011/02/1-blogagem-coletiva-do-sonhar-e-ser.html  

***
A capacidade de sonhar renova em nós:
o sopro de vida que nos fez um dia existir
o sorriso de nossa criança interior
a sabedoria de semear esperança e amor
a capacidade de crescer e conservar no peito
um coração sonhador
...

***

Parabéns, Liliane, por esse UM ano de existência do “Sonhar e Ser”!
Continue nos presenteando com esse seu jeito terno e amoroso de dizer e demonstrar que a vida é um dom precioso e que deve ser respeitada e partilhada com dignidade e amor em abundância!

Beijos, muitos e muitos!!!

Izabel

domingo, 13 de fevereiro de 2011

que seja então...

talvez a última
quem sabe a penúltima
quantas
muitas
todas sofridas
não merecidas
assim são as lágrimas
as minhas
brotando de um viés sem saída
de uma ótica descabida
impossível de ser diluída
como tristeza incontida
que você nem sentiu
nem viu
por outras vias partiu
foi garimpar teu ouro
acumular teu tesouro
ser feliz ao longe...
- que seja então


Izabel Lisboa

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

confesso...


confesso...

por aqui
o cio de sempre
cíclico
torrencial
incomensurável
tenso
teso
fatal...


Izabel Lisboa


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vanessa Mae : Fantasy on a theme from Caravans

apocalíptica

suplicavam por repouso
por uma tábua de salvação que fosse
e não encontravam refúgio
restaram somente escombros


pisaram os lírios do campo
com que prazer foram pisoteados
obra de gente infeliz
cavaleiros sem cabeça e sem coração


aquela gralha maldita
ave de rapina e malfazeja
a percorrer as noites de nossos dias
a espalhar agouros persuadindo os homens


ladra funesta
abre suas asas e furta-nos a paz e a luz
atravessando em vôo rasante o breu dos tempos
deixando atrás de si carcaças e carniças


por inveja matar as almas
e com elas a esperança
eis aí tua vingança
e para isso fez alianças


enfeitiçou príncipes
usurpou seus reinos e seus corações
fez deles súditos fiéis e rancorosos
anunciadores de suas parábolas e encantamentos


e assim sua língua correu o mundo
fez discípulos nos quatro cantos da terra
elevou suas torres frondosas nos continentes
erguidas com sangue e suor dos povos


e tu alardeias que não queres vingança
almejas para ti o perdão
e para o mundo tuas lambanças
por fim tu ouvirás então:


a Cesar o que é de Cesar
a Deus o que é de Deus
a areia de dois mil anos caiu pela ampulheta
quando fores tocada tu te renderás


de ti as trevas desaparecerão
o porquê
aquele que manipulas-te
terá pleno desvelamento


ao fim tu alcançarás Sabedoria
e olharás os lírios do campo
que não tecem nem fiam
e verás que nem Salomão se vestiu como um deles...




Izabel Lisboa

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ótimo esse Café Filosófico!!!
http://video.google.com/videoplay?docid=4511918830476887167&hl=en#
Agir contra o destino - Antonio Medina Rodrigues:
***
É possível lutar contra o nosso destino? Exercemos alguma influência sobre o acaso? Tais questionamentos compõem o discurso de Antonio Medina Rodrigues, que contrapõe o conceito de "fatalidade" ao "conjunto universal de transformações". Este último seria formado pelos seguintes elementos: acaso, surpresa, imprevisão e práxis humana. Para o especialista em tragédia grega, seria um equívoco pensar que o homem nada pode fazer contra o desígnio divino. "Este foi o primeiro grito de liberdade do ocidente: a libertação pelo êxtase. Viver sem levar em conta as determinações divinas". Antonio Medina Rodrigues: professor de Língua e Literatura Grega da USP, tradutor, ensaísta e poeta. Autor de As Utopias Gregas, Idéias e Canto do Destino e Outros Cantos é também o responsável pela edição da tradução de Odisséia, de Homero, realizada por Manuel Odorico Mendes. O programa Café Filosófico é uma produção da TV Cultura em parceria com a CPFL Energia.