sábado, 2 de julho de 2011

celeiros abarrotados


e quem te pediu o sol
para inquietares tu'alma
e a chuva
para perderes o tino
e quem te pediu o vento
para estremeceres em sobressaltos
e o céu
para importunares os deuses
nada te foi pedido
nada me foi negado
sobre todos velam os deuses
com brandura...e com furor
a cada um: fardos e dádivas
árvores serão eternamente prisioneiras do solo
e do fogo quando esse se alastra...
mas...a cabeleira do vento dança
sobre a magnífica copa das árvores
e carrega sementes e faz promessas...
em metáforas de liberdade
rege a orquestra da natureza em regozijo
mas...assusta e faz calar tambores...

Izabel Lisboa

2 comentários:

Luiz Alfredo Nunes de Melo disse...

Quem pediu a Espinoza para pensar o próprio Deus ser a natureza
o conceito de liberdade não ter restrição
sem cair em contradição
quem pediu para você escrever
estes poemas imanentes
bonitos como uma mulher grávida
como uma flor osculada
por um beija-flor
uma pétala orvalhada
uma orquidea inoculada
por uma abelha
a chuva molhar a relva
o trovão despertar o cogumelo
teus poemas de serem belos
te amo poeta das entranhas
que desenha versos fenomenicos
com metaforas semeadas pelo vento.

Luiz Alfredo - poeta

Izabel Lisboa disse...

Ótima sua lembrança de Espinosa, Luiz Alfredo! Beijos!