sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

o comedor de palavras e a borboleta

[se falassem]
do que falariam as borboletas
de uma fome que não se mata
de uma sede que não se aplaca
de uma dor que não se estanca
por isso voam as borboletas
em ziguezague em vai e vem
desordenadamente
desobrigadamente
esfomeadamente
sem metas e sem retas
*deparou-se um dia a borboleta
com um comedor de palavras
- sacio minha fome comendo
palavras
[disse ele]
- a fome que tenho não se acaba
a sede que sinto não se aplaca
minha dor não se estanca
[disse ela]
e era um mar tão vasto entre eles...
[um mar de palavras]

Izabel Lisboa


Um comentário:

Cristiano Marcell disse...

Belo pequenino conto poético!

Muita Paz