terça-feira, 12 de outubro de 2010

Pro Dia das Crianças nascer Feliz

ignorar relógios
tomar banho de chuva
andar descalço na terra
desenhar florinhas miúdas
[no canto das páginas]
aguar canteiros
observar formigas
e joaninhas pequenininhas
ouvir bem-te-vi
empinar pipa
chamar o vento num assovio
dormir na rede
ou na esteira
contemplar roseiras
ler Cora Coralina
[imaginando a doçura de suas compotas...]

***
...hoje
por exemplo
só lembrei de ser feliz...
só lembrei de ser criança...

***
Um Feliz Dia para todas as Crianças... Para todas que tem saúde, moradia, lazer, alimentação, educação escolar, infância, cidadania... E para as que não tem...
[a desigualdade social é cruel!]
Para as que não tem dedico um verso/grito, um verso/reverso:

***

Perdemos
na dança das cadeiras
Só não perdemos o jeito
de virar a mesa...

***
...que seja assim, para um dia o Dia das Crianças nascer Feliz... Para todas!

sábado, 9 de outubro de 2010














"Conta-te a ti mesmo a tua própria história. E queima-a logo que a tenhas escrito. Não sejas nunca de tal forma que não possas ser também de outra maneira. Recorda-te de teu futuro e caminha até tua infância. E não perguntes quem és àquele que sabe a resposta, nem mesmo a essa parte de ti mesmo que sabe a resposta, porque a resposta poderia matar a intensidade da pergunta e o que se agita nessa intensidade. Sê tu mesmo a pergunta".


Jorge Larrosa, Pedagogia Profana
(professor da Universidade de Barcelona e doutor em Filosofia da Educação)
http://www.ufmg.br/boletim/bol1506/quinta.shtml

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

como?!
















homens tolos
matam crianças
as interiores... depois as outras...


pensem...
pensem nas crianças
de Auschwitz
de Hiroshima
da Palestina
nas das esquinas
do mundo inteiro
pensem...
como criança
pensem...


homens tolos
matam crianças
as interiores... depois as outras...

Eu só peço à Deus - Mercedes Sosa e Beth Carvalho

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Primeira pedra

A questão não é matar ou não matar Sakineh, a questão é "como matar" Sakineh!!!




Primeira pedra
________________ Verso pra Sakineh




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nem mesmo a indefinida tese
De morrer pelo orgasmo
Convence-me a atirar
Enfim a pedra
Sequer a consciência
De saber que do meu lado ocidental se mata
Lindamente limpo e sem alarde
Então olho pra você na tela
Olho o que sobrou
Encafifado com suas leis
Que cê nem fez
Na palidez do seu olhar agora
Apagado olhar abandonado
Martírio igual ao seu aqui não vi
Matam com o olhar até
Mas vi aqui
Mulheres malamadas
Não amadas
Subamadas
Desalmadas sem amar
Sem nunca saber o que dizer após o coito
Vou guardar a sua cara
Pra lembrar docê depois das pedras
Se daí se mata por amar
Pois quem aí trairia sem amor?
Daqui se mata pelo tédio
E por falar em tédio
Logo, logo cedo ainda
Antecipam sua sina
Matar de você o que ficou

Depois disso levam seus restos por aí
Rua das bem-nascidas
Se por amar tem que morrer
Que de exemplo sirva
Aí amar quase nem sempre é bom
Por fim
Igual aqui
Aqui amar nunca é sinal de florescer
Então, viver aqui é quase tão igual amar aí
Morre-se vil


Dom Quixote

http://versoeprosa.ning.com/profiles/blogs/primeira-pedra#comments

sábado, 25 de setembro de 2010

É possível filosofar engessado por uma disciplina dentro da "grade" curricular do ensino médio?!

São tantos papéis, né não?! Os radicais radicalizam os ponderados ponderam, os contentes se contentam, os descontentes se descontentam, os equivocados se equivocam, os panfletários panfletam, os verborrágicos verborragizam, os filósofos... Aaaaah, os filósofos!!! Os filósofos fazem algo de especial: filosofam e, claro,
espontaneamente e heroicamente tomam cicuta!!! HuHu!!!

Se é possível filosofar engessado por uma disciplina dentro da "grade" curricular do ensino médio?!

Qual seria o sagrado "lugar" próprio, ou propício, para filosofar? A Ágora? O Jardim de Epicuro? A escola nos tempos da ditadura? A escola contemporânea? A Europa colonialista? Onde se encontra o tal paraíso
perdido???

Mas, será que Sofia se deixa aprisionar ou engessar?! E por outro lado, não seria justamente nas prisões e engessamentos que nasce o ato do filosofar? O que está nas grades curriculares seria A Filosofia "pura e cristalina" (concordo: é impossível), ou apenas um VÁLIDO pretexto para a abertura da possibilidade (ou não) de Sofia se personificar e se fazer amar?!

Não é na condição de encarcerado, preso aos grilhões no fundo da caverna, que ocorre o despertar para outras possibilidades, para o próprio ato do filosofar? Que seja como queria Platão, um libertar-se para a Luz que tudo ilumina, ou, que seja um infindável sair e entrar em cavernas, é na condição de prisioneiro que o raio do ato filosófico acontece, seja na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê!!!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

vou-me embora também...

Pasárgada é logo ali... ou pode ser bem aqui
depende da fome ou da hecatombe
trata-se de um lugar imperfeito
a três léguas pra lá do fim do mundo
onde o diabo perdeu as botas
Manoel fincou Bandeira e
Drummond conheceu Raimundo
não é terra prometida
soube que é terra de ninguém
seu rei tem amor pela vida e
trata os amigos como ninguém...

Vou me embora pra Pasárgada

As delícias do Jardim de Epicuro
















http://www.megavideo.com/?d=N99Q9K34

percepções:
A Felicidade é uma conquista!
O sofrimento é uma contingência, e o homem consegue vencê-lo pela postura interior que se desviará da fatalidade pela boa administração interior.

Atomismo: os átomos são partículas invisíveis que caem no vazio. Nessa queda há a possibilidade do "clinâmen", do desvio. Nesse sentido não há uma fatalidade universal como também não há uma passividade do homem diante das divergências; a possibilidade do desvio é a via da liberdade humana em administrar seu próprio destino e alcançar a felicidade almejada (ou possível).

O homem pode e deve administrar seus desejos, já que existem desejos naturais e necessários, mas, também, existem desejos que não são naturais e nem necessários.

Assim, é preciso que exista autenticidade na busca da realização dos desejos naturais e necessários.

O Jardim de Epicuro equipara-se mais a um oásis em meio ao deserto - para reabastecimento das forças no decorrer da "travessia" - do que a um estado de nirvana.

domingo, 19 de setembro de 2010

Santa Casa de Misericórdia [uma da madrugada...]


é um pingo
um pingo de gente
sim, é de gente
mas, parece um bichinho!
bicho não catalogado, isso sim!
magrinho e esmilinguido assim?!
será que vinga?
sei não...
cabe na palma da mão!
e o pai?
a mãe não sabe quem!
miséria pouca é bobagem, em?
ela tem mais sete muleque
e pra dá de cume como será?
ela esmola
e bota eles pra esmolar também
eita mundo cão...
olha, parou de respirá...
nem teve tempo de na vida se agarrá
louvado seja Deus, menos um pra definhá...


Izabel Lisboa